Oração de um sacerdote (numa tarde de domingo)

Um sacerdote

Apenas um homem.

Os militantes são exigentes para com seus sacerdotes. Têm razão. Devem porém saber que é duro ser padre. Aquele que se entregou com toda a generosidade de sua juventude, permanece homem, e cada dia o homem nele procura retomar o que havia entregue. E uma luta contínua para ficar totalmente disponível para o Cristo, para os outros.
O padre não precisa tanto de cumprimentos, homenagens ou prêmios, coisas que vêm estorvar-lhe a missão. Precisa, isto sim, que os cristãos cujo encargo especial ele recebeu, amando cada vez mais seus irmãos, lhe demonstrem que ele não deu a vida em vão. E como ele fica sendo sempre um homem, pode ser que ele precise vez por outra de um gesto dedicado de amizade desinteressada… num domingo de tarde quando ele está sozinho.

É duro, Senhor!

Braços moços para o trabalho, Um coração reservado para o amor, Mas tudo isto te dei.
É verdade que de tudo precisavas, Tudo te dei, mas é duro, Senhor,
É duro dar o próprio corpo: ele queria dar-se a outros.
É duro amar toda gente e não possuir ninguém.
É duro apertar uma mão sem poder retê-la.
É duro fazer que brote uma afeição, mas para dá-la a ti.
É duro nada ser para si mesmo, a fim de ser tudo para eles.
É duro ser como os outros, entre os outros e ser um outro!
É duro dar sem cessar, sem procurar receber.
É duro ir ao encontro dos outros, sem que jamais alguém
É duro sofrer os pecados dos outros, sem poder recusar acolhê-los e carregá-los.
É duro receber os segredos, sem poder compartilhá-los.
É duro arrastar os outros sem cessar e nunca poder, um instante sequer, deixar-se arrastar pelos outros.
É duro sustentar os fracos sem poder apoiar-se sobre um forte.
É duro estar sozinho.
Sozinho diante de todos.
Sozinho diante do Mundo.
Sozinho diante do sofrimento, do pecado, da morte.

Não estás só, Eu sou tu.

Não estás só, meu Filho, Estou contigo, Eu sou tu.
Eu precisava, na verdade, de uma humanidade a mais para continuar minha Encarnação e minha Redenção.
Desde toda a eternidade, eu te escolhi.

Eu preciso de ti.
Preciso de tuas mãos para continuar a abençoar, Preciso de teus lábios para continuar a falar, Preciso de teu corpo para continuar a sofrer, Preciso de teu coração para continuar a amar, Preciso de ti para continuar a salvar, Fica comigo, meu Filho.

Senhor, eis-me aqui:

Eu te repito o meu SIM, Não as gargalhadas, mas lentamente, lucidamente, humil-
Sozinho, Senhor, sob teu olhar,
Na paz da tarde.

Tirado do livro: Poemas para rezar, Michel Quoist.

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